01/11/2006 04:50
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enviada por mmcine
29/10/2006 22:30

Dirigido por Pen-ek Ratanuruang em 2003, Last Life in the Universe (Ruang Rak Noi Nid Mahasan) foi saudado em festivais internacionais por confirmar o talento de seu diretor, que vinha de três bem-sucedidas produções, e por trazer um sopro de novidade estético-narrativa através da mescla de elementos tradicionais tailandeses e japoneses em diálogo com tendências do "cinema de arte" internacional.
Estrelado pelo astro japonês Tadanobu Asano (cujo pôster enfeita o quarto de 9 entre 10 adolescentes nipônicas), o filme, através de sua mescla de "Yakuza movie" e romance, subverte clichês do gênero policial e conta, com delicadeza e inspiradíssima direção de arte, o envolvimento de uma garota borderline amalucada e em o que parece, à primeira vista, tratar-se de um intelectual reprimido. A troca de identidades, somada à participação especial de Miike Takeshi como chefe dos gângsters embusca de vingança, acrescenta toques de comédia à narrativa, que tem como um de seus toques especiais o fato que os créditos iniciais só aparecem lá pela metade do filme.
Pen-ek Ratanuruang é, ao lado de Oxide Pang e Yongyooth Tongkonthun, um dos principais responsáveis pela retomada do prestígio internacional (e pela penetração no mercado asiático) do cinema tailandês a partir de 1997, ano em que dirigiu o sucesso de público Fun Bar Karaoke (Fun ba karaoke). Voltaremos a falar dele e do cinema tailandês.
enviada por mmcine
29/10/2006 21:45

Não é apenas na economia que a Coréia, após investimentos maciços em educação e tecnologia, tornou-se um tigre asiático. O país é (ou foi, até 2005) um dos três únicos do mundo não-comunista (os outros são Índia e, claro, Estados Unidos) em que a produção local suplanta Hollywood em termos de público.
O cinema coreano abrange um diversificado leque de estilos e tamanhos de produção do filme experimental independente, ao mega-blockbuster (blockbuster Shiri, dirigido por Kang Je-gyu em 1999, bateu blockbuster Shiri TItanic nas bilheterias locais), passando por um cinema de gênero comercialmente estabelecido e por um considerável número de diretores com visão autoral que produzem qo que no Brasil se convencionou classificar como filme de arte.
Este blog vai procurar comentar com regularidade essa cinematografia tão especial, que tem muito a oferecer ao público e aos cineastas brasileiros (incluindo, neste caso, um modelo de fianciamento da atividade que merece ser estudado com atenção).
Vamos começar nossa viagem ao cinema coreano com Peppermint Candy (Bakha Satang), dirigido em 2000 por um de seus cineastas mais talentosos, Chand-dong Lee. No caso, é particularmente apropriado falar em viagem, já que a imagem de um trem avançando pela estrada de ferro (em tomada subjetiva) funciona como elemento de ligação entre a sucessão de Bakha Satang que compõem a narrativa. As primeiras tomadas do filmemostram um homem de 30 e poucos anos, de terno e visivelmente bêbado, dançando e agindo de maneira descontrolada numa festa de encontro de sua turma de escola de 20 anos atrás. Ele acaba indo parar numa ponte, por onde passa a linha férrea, e, apesar das tentativas de dissuadi-lo da idéia, se suicida jogando-se contra o trem.
A partir daí, o filme conta sua história, abordando, em ordem cronológica inversa, diversos períodos de sua vida: da miserável condição em que vinha vivendo após se separar da mulher e ser traído pelo sócio ao reencontro com a ex-esposa prestes a morrer no hospital; do seu período violento período como policial, em que a rotina se instalou ao casamento, à crise que o leva a abandonar a profissão, a mulher e a filha; do serviço militar ao momento em que conheceu sua futura mulher, e assim sucessivamente.
O final, que não revelarei para preservar o interesse, é genial, instaura uma profunda reflexão existencial, e reafirma Chand-dong Lee como um mestre da narrativa.
enviada por mmcine
29/10/2006 19:08

Takashi Miike (ou Miike Takashi, para os japoneses), o figuraça da foto, é um diretor japonês que, em 15 anos de carreira, dirigiu mais de 50 longas. Sua carreira está diretamente ligada ao desenvolvimento das tecnologias digitais ocorrido nas últimas duas décadas: seus filmes, rodados, em sua maioria, diretamente em vídeo, beneficiaram-se do barateamento dos custos de produção e dublagem, e tornaram-se uma febre na Ásia e no fan-circuit norte-americano.
Extremamente eclético, dirigiu dramas (The bird people in China, 1998), comédias (The happiness of the Katakuris, 2001), policiais (Shinjuku Triad Society, 1995) e ficção científica (Dead or Alive: Final, 2002, terceiro e último episódio da série de filmes que o tornou cultuado). As altas doses de violência gráfica, eventualmente mescladas a horror e bizarramente cômicas, formam um traço distintivo em sua cinematografia.
enviada por mmcine
29/10/2006 19:07

Com Audition (2002) sua carreira ganhou reconhecimento crítico internacional. Os primeiros dois terços do filme, marcados por uma sobriedade e ritmo narrativo atípicos em se tratando de Takashi Miike, retratam o cotidiano de um produtor solitário que promove testes de elenco visando achar a mulher dos seus sonhos. Ela se materializa na figura da estonteante Aisami (a top model Eihi Shiima, na foto). Após uma seqüência de sadomasoquismo, cuja extrema violência provocou o esvaziamento de cinemas mundo afora, o filme revela-se um contundente e radical exame da dinâmica das relações de poder que permeiam os relacionamentos afetivo-sexuais.
Apesar de irregular - e, dependendo da sensibilidade da audiência, às vezes repugnante - vale a pena conhecer a obra de Miike Takashi, que apresenta uma agilidade e uma sensibilidade estética multicultural e contemporânea, com espasmos de grande cinema.
Curiosidade: The city of lost souls (2000) inclui um protagonista "brasileiro", na figura do anti-herói Mário (Teah). As aspas dizem respeito ao sofrível portunhol que ele, assim como parte do elenco, quer fazer passar por português...
enviada por mmcine
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